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Aos 30 anos, Copa do Brasil busca luz própria: qual o tamanho do título?

BeSoccer por BeSoccer @besoccer_com - 0 171

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Agrado a times, atalho para a Libertadores, prêmio elevado: as diferentes fases da Copa do Brasil, que termina nesta quarta com Inter x Athletico

A Copa do Brasil começou como compensação política aos times distantes dos grandes centros, virou atalho para a sonhada Libertadores, perdeu força sem os principais times da temporada no país e agora, comemorando 30 anos de vida, busca luz própria com a final num mês só para ela e um prêmio financeiro ao campeão que supera o do Campeonato Brasileiro.

Diante disso, afinal de contas: no atual contexto do futebol brasileiro, qual o tamanho do título da Copa para Internacional ou Athletico, que definem a taça nesta quarta-feira?

Política pelo Brasil

Primeiro, voltemos a 1989. Ricardo Teixeira, após anos de lobby com as federações estaduais, foi eleito presidente da CBF. Eram tempos de insatisfação dos times de estados de menor nível nacional, já que a Copa União, em 1987-88, havia diminuído o número de clubes da elite do Campeonato Brasileiro. O genro de João Havelange quis arejar o caos dos anos anteriores e ficar bem com todo o território nacional, ajeitando o Brasileirão e criando uma competição paralela, menor, que pudesse abraçar todo o país.

Estava pronta a ideia da Copa do Brasil. Jogariam todos os campeões estaduais das federações com futebol profissional, mais os vices dos principais torneios. E o vencedor ocuparia uma das vagas do Brasil na Copa Libertadores da América. Todo mundo gostou, claro.

No início, apesar da incerteza da fórmula e do calendário, a democratização aconteceu, com times sem títulos nacionais da elite chegando no topo da competição. Nas primeiras edições, Náutico, Remo e Linhares foram semifinalistas, Goiás e Ceará chegaram à decisão e o Criciúma bateu campeão. O plano de Teixeira estava dando certo.

A obsessão pela Libertadores

Chega o ano de 1993 e o São Paulo conquista o bicampeonato da Libertadores com um time comandado por uma referência, Telê Santana. Vão surgindo os canais de TV a cabo, são tempos de globalização e de intercâmbio de jogadores para a Europa facilitado pela Lei Bosman. As fronteiras se ampliam (não só no futebol), e ser o maior time da América do Sul passa a ter uma importância maior do que antes.

Paulo Nunes em ação pelo Palmeiras contra o Cruzeiro, na Copa do Brasil de 1998

Somado a isso, o calendário passa a ser um pouco mais regular. Os formatos ainda variam muito, mas a Copa do Brasil passa a ser jogada sempre no primeiro semestre e antes do Campeonato Brasileiro, que vem no segundo. O país passa a ter um campeão no meio e outro no fim do ano.

Não à toa, mais que saudar o campeão, a narrativa da época muitas vezes valoriza mais o tal do "caminho mais curto para a Libertadores". E ali a Copa do Brasil pega de vez. Cruzeiro, Corinthians e Palmeiras são campeões, além do Grêmio, que já havia sido no início; o Juventude, diante de mais de 100 mil botafoguenses no Maracanã, leva o grande título de sua história; a frustração do São Paulo em 2000, perdendo a final no fim para o Cruzeiro, se torna uma das grandes derrotas vividas pela torcida tricolor.

Na virada do século, a Libertadores cresce. E se em 2000 os cinco times do torneio continental entram só nos jogos decisivos da Copa do Brasil, em 2001 eles saem de vez do mata-mata nacional.

Isso dura até a edição de 2012, que aliás é simbólica. O Palmeiras, ao mesmo tempo que era rebaixado no Campeonato Brasileiro, leva a Copa do Brasil que não teve seis gigantes. Apesar de seguir sendo um grande título, é inegável que a ausência dos grandes clubes do momento coloca o nível da competição em dúvida. Nesse período, Santo André, Paulista e Sport surpreendem gigantes e levam taças inéditas.

Talvez o time que melhor represente esse hiato dos grandes elencos seja o São Paulo. A equipe do Morumbi, presente de forma contínua na Libertadores, não jogou a Copa do Brasil por sete temporadas seguidas, o que colaborou para que o tricolor paulista, tricampeão brasileiro e campeão do mundo no período, não tenha nenhuma taça da Copa nacional.

Ressurgimento

Em 2013, os times da Libertadores passaram a entrar nas oitavas de final da Copa do Brasil. Desde então, nessas seis competições, três vezes o campeão da Copa do Brasil vem da maior competição continental - caso que se repetirá nesta noite, já que Athletico e Inter disputaram o torneio sul-americano neste ano.

Com tantos times jogando a Libertadores e entrando de forma tão tardia na Copa do Brasil, as zebras diminuíram. As últimas cinco finais reuniram times do chamado G12 - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Além disso, o prêmio para o campeão supera o valor destinado ao primeiro colocado do Brasileirão. Juntou-se então o primeiro nível dos clubes brasileiros com oito jogos valendo uma bolada e a tranquilidade da vaga continental.

Vale também a atenção da torcida para o único torneio nacional de duelo eliminatório. Consolidada a Série A por pontos corridos, restou a Copa do Brasil para os fãs do mata-mata nas noites de quarta-feira. O torneio ressurge com força.

Hoje

A grande crítica que se faz à Copa do Brasil atualmente é que ela favorece demais os times que já estão num primeiro escalão continental. Se nesta edição oito clubes das oitavas de final vieram da Libertadores e têm um sorteio dirigido para não se enfrentarem, as chances de uma surpresa é bem reduzida. O Paysandu, por exemplo, alcançou as oitavas de final sabendo que teria quatro gigantes até o título. Difícil.

Outra questão é a prioridade do torneio em relação ao Campeonato Brasileiro. Se em oito jogos se alcança uma taça nacional, uma premiação gorda e um lugar na Libertadores, por que não focar nesses duelos e deixar a liga de 38 jogos um pouco de lado? O calendário apertado do futebol nacional acaba boicotando a própria liga de pontos corridos.

De positivo, a luz própria. Se no final do ano havia concorrência de atenção com as decisões continentais e a reta final do Brasileiro, a definição do campeão da Copa do Brasil em setembro reforça a atenção ao duelo. É ainda a virada do turno na Série A, então nem Athletico nem Inter precisaram abandonar a liga toda para focar na Copa. E terão as 19 rodadas finais do Brasileiro como meta única na temporada a partir de amanhã.

Para o clube paranaense, a taça inédita significa celebrar o momento  em que o time se colocou na disputa dos principais títulos, ganhando a Sul-Americana, mantendo a hegemonia no Estadual e fazendo uma Libertadores decente. Já o quadro gaúcho busca carimbar a volta à elite do futebol dois anos depois de uma amarga e difícil temporada na Série B, logo esquecida com boas posições nos campeonatos seguintes.

Vale muito, pelo contexto do torneio e pelo momento dos clubes, precisando dessa taça para se ajeitar na prateleira do futebol brasileiro. Também pela pretensão da Copa do Brasil, aos 30 anos e com maturidade para se chamar de grande.

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