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Atalanta: um sonho que se transformou num grande pesadelo

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um sonho que se transformou num grande pesadelo. Twitter/Atalanta_BC

Atalanta: um sonho que se transformou num grande pesadelo

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Pouco mais de um mês após a vitória por 4x1 sobre o Valencia, pela Champions League, a cidade de Bérgamo, na Itália, foi devastada pelo coronavírus.

A temporada 2019/20 estava sendo fantástica para Atalanta. Com um futebol encantador, a equipe de Bérgamo passou pela fase de grupos da Liga dos Campeões e deu show nas oitavas de final, atropelando o Valencia e conseguindo uma classificação inédita para as quartas de final do torneio. 

“Foi uma noite maravilhosa; um sonho lindo”, disse Papu Gomez, ao Sky Sports, após a goleada de 4x1 sobre os espanhóis, pela partida de ida do confronto, diante de mais de 40 mil torcedores no estádio Giuseppe Meazza, em Milão - em reforma, o estádio do Atalanta não pôde receber a partida. “Para ser sincero, não esperava que todas essas pessoas de Bérgamo estivessem aqui. É fantástico, único e permanecerá conosco por toda a vida”.

Porém, nem tudo foi tão bom como se pensava. Os torcedores que foram de Bérgamo a Milão para assistir ao show de Josip Ilicic, Gomes e Hans Hateboer, não sabiam que, pouco mais de um mês após a partida, o surto de coronavírus covid-19 teria assolado a Itália e, em especial, a cidade da região da Lombardia. Ao todo, já foram mais de 4 mil mortes confirmadas no país.

Em meio às comemorações e ao êxtase da classificação, mesmo que intencionalmente, a multidão de torcedores que se deslocou entre as duas cidade italianas pode ter contribuído na disseminação do vírus que atinge todo o mundo. 

A partida entre Atalanta e Valencia está sendo comparada a uma “bomba biológica” que explodiu em San Siro, de acordo com o chefe do departamento de pneumologia do principal hospital de Milão. Francesco Le Foche, imunologista da Policlínica Umberto I, em Roma, também concorda com a opinião.

“É provável vários gatilhos e catalisadores foram importantes para a difusão do vírus, mas o jogo entre Atalanta e Valência pode muito bem ter sido um deles. A agregação de milhares de pessoas, a centímetros uma da outra, em momentos de euforia, com abraços e gritos, tudo isso pode favorecer a reciprocidade viral”, explicou o imunologista.

“Eu imagino que muitas pessoas com ingressos não queriam perder esse jogo, mesmo que sentissem uma febre leve. Agora, sabemos que era loucura jogar uma partida com uma multidão presente, mas na época as coisas não estavam suficientemente claras. Seria impensável agora”, completou.

Naquele momento, as preocupações se voltavam apenas para a China e para a província de Wuhan. O primeiro paciente infectado pelo vírus havia sido detectado apenas alguns dias antes do confronto.

"Todos nós subestimamos o Covid-19, inclusive eu", admitiu Robin Gosens, lateral direito do Atalanta, ao Gazzetta dello Sport. "Eu disse a mim mesmo que era, na pior das hipóteses, uma gripe. Saí, fui aos restaurantes ver meus amigos. Não sabíamos sobre esse inimigo e a capacidade dele. Entendemos isso apenas quando já havia muitos casos ".

Para a partida de volta, que foi realizada com portões fechados, a viagem do Atalanta a Espanha foi questionada, mas acabou acontecendo. E mesmo sem a presença de público no jogo, os torcedores do Valencia se reuniram nos arredores do estádio para torcer por sua equipe. Hoje, 35% do elenco do Valencia, entre jogadores e membros da comissão técnica, já foi contaminado pelo vírus. A Espanha também é um dos países mais afetados pela doença.

É claro que vendo como a situação está atualmente, sabemos que a partida não deveria ter acontecida. No entanto, encontrar apenas um culpado por uma pandemia global é impossível, assim como encontrar apenas um evento responsável por disseminar um vírus que atinge todo o mundo. Mas o fato é que, há pouco mais de um mês atrás, o Atalanta e os torcedores de Bérgamo viviam em um conto de fadas e hoje estão presos em um pesadelo que não deve terminar tão cedo.

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