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Conmebol TV: ruptura com Globo e Libertadores mais cara e escondida

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Pin Conmebol TV surge de ruptura com Globo e deixa Libertadores cara e escondida. EFE/Nathalia Aguilar
Conmebol TV surge de ruptura com Globo e deixa Libertadores cara e escondida. EFE/Nathalia Aguilar

Conmebol TV: ruptura com Globo e Libertadores mais cara e escondida

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Principal competição do continente altera ordem dos direitos de transmissão, esperando adaptação do torcedor ao novo jeito de assistir futebol.

Após seis meses de interrupção por conta da pandemia do novo coronavírus, a Copa Libertadores da América está de volta nesta terça-feira (15/09) com uma nova organização na transmissão dos jogos para o Brasil, oferecendo ao torcedor a contratação de um novo canal, a Conmebol TV, a R$ 39,90 mensais, disponível apenas assinantes das duas operadoras de TV por assinatura parceiras e com seis jogos exclusivos nesta terceira rodada da fase de grupos.

O arranjo se dá com a saída do grupo Globo da principal competição do continente, já que não houve acerto na renegociação dos valores nesse período de pandemia. A Globo procurou baixar os valores, e a abordagem da empresa desagradou a Conmebol. Se a principal rede do país se manteve irredutível, a Confederação agiu para colocar seu principal conteúdo em concorrentes, fechando com SBT e Band.

Se por um lado a Globo usou de seu poder de barganha, "pagando para ver" se outra rede alcançaria patamares tão elevados pelos direitos de transmissão, por outro a Conmebol respondeu firmando contratos mais baixos, mas celebrando a continuidade do torneio sem depender do maior parceiro até então. A Globo pagava 60 milhões de dólares para transmissões em seus canais aberto e fechado, enquanto o SBT ocupará a faixa gratuita por cerca de 15 milhões de dólares, informou a Máquina do Esporte.

Com a saída da Globo e da Sportv, a configuração para a retomada do torneio é a seguinte: o horário da TV aberta, 21h30 das quartas-feiras, passa a ter um ou dois jogos disponíveis para o SBT; o pacote principal da TV a cabo segue com a Fox Sports, que transmite a final com exclusividade nos canais por assinatura; o Facebook segue com seus jogos gratuitos, na internet, às quintas; e a TV Conmebol, uma parceria com a Bandsports, assume as partidas que eram da Sportv, uma prioridade secundária em relação à Fox.

Com base nisso e nos sete jogos envolvendo clubes brasileiros, a distribuição fica a seguinte nesta semana: na quarta, Palmeiras e Grêmio jogam no SBT, sendo que o primeiro passa também na Fox, e o segundo também na Conmebol TV; Inter, na quarta, e São Paulo, na quinta, são jogos exclusivos da Fox; o Flamengo é o jogo do Facebook, na quinta; Santos e Athletico-PR, nesta terça, são as partidas exibidas apenas na Conmebol TV (disponível a assinantes Claro/Net e Sky, com início gratuito).

A nova configuração abre alguns debates neste momento de mudanças na relação do público com o futebol. Primeiro, o financeiro. Os assinantes de TV a cabo que já pagam os canais esportivos agora precisarão assinar um novo pacote extra, com preço acima do mercado atual e sem saber quais jogos serão transmitidos por lá. É bem possível que determinados times estejam sempre contemplados por TV aberta, Fox Sports ou Facebook.

Ainda que a Sportv não transmita mais a Libertadores, é difícil imaginar que um assinante abriria mão dos canais que transmitem Estaduais, Brasileiro e Copa do Brasil para pagar por uma mensalidade mais econômica e investir na Conmebol TV. Ainda assim, se o objetivo for a Libertadores, essa TV a cabo mais básica perderia a Fox, o que exigiria uma assinatura à parte na internet.

Segundo, a exclusividade. Se o país tem cerca de 15 milhões de assinaturas de TV a cabo vigentes, a Conmebol TV fica disponível para 80% disso, já que está na Claro/Net e na Sky. Diferentemente da tendência dos canais de streaming, não há opção para assinatura via aplicativo de celular ou site. Então ainda que alguém aceite pagar por todo e qualquer jogo da Libertadores, é preciso ser assinante e ter a instalação das empresas escolhidas pela Confederação.

De toda forma, é um movimento amplo, que continua abastecendo a discussão sobre o apelo do futebol, a capacidade de ele motivar as pessoas a pagarem diversas assinaturas, cada uma com seu formato, para juntas oferecerem um cardápio completo. Se há algum tempo o dilema era conseguir assistir a um jogo de futebol - há cerca de 15 anos a Libertadores ainda tinha grandes clubes brasileiros jogando sem televisão e já no início da madrugada -, agora nunca foi tão fácil ter tanta bola à disposição. Resta saber se o torcedor acompanhará o ritmo.

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