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"Coutinho do Liverpool" e outras dicas de Tite sobre o Brasil que ele quer

BeSoccer por BeSoccer @besoccer_com - 0 1,355

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Coutinho do Liverpool e outras dicas táticas de Tite. Goal

"Coutinho do Liverpool" e outras dicas de Tite sobre o Brasil que ele quer

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Treinador deu entrevista esclarecedora e indicou, por exemplo, que quer Coutinho com mais liberdade do que ele costuma ter no Barcelona.

Muito criticado por dar entrevistas cifradas e por vezes rebuscadas demais, Tite quebrou seu próprio protocolo após a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Bolívia. Embora não tenha traído o próprio estilo, o treinador abriu bastante sua estratégia, admitiu erros e deu indicações de que seleção ele quer montar no decorrer do torneio. Reunimos, abaixo, as principais “lições”:

Coutinho do Liverpool, e não do Barcelona

Perguntado sobre a possibilidade de utilizar um 3-5-2 na seleção brasileira, Tite explicava aos repórteres que lhe faltava tempo para repetir, na situação atual, o que ele fez com o Grêmio de 2001, campeão da Copa do Brasil com três beques. Na visão do treinador, o pouco tempo exige que ele utilize os jogadores nas mesmas posições em que eles atuam em seus clubes de origem. Com uma notável exceção. 

“Se eu tivesse tempo... Eu preciso reinventar constantemente. Aquele Grêmio teve uma organização muito grande e transição muito rápida. O que o técnico faz [na seleção]? Tenta utilizar nas funções que eles fazem nos seus clubes. Senão seria incoerente [...] Mas o Coutinho da seleção é o Coutinho do Liverpool, e não o do Barcelona”, disse ele, como que sublinhando as próprias palavras. 

O posicionamento foi uma das principais pedras no sapato de Coutinho em seu calvário no Barcelona neste ano. Tratado como um possível sucessor de Iniesta, o brasileiro muitas vezes jogou como terceiro homem de meio-campo, com responsabilidades defensivas e preso ao estilo de jogo de posição fixa do time catalão. No Liverpool, como na seleção, ele atuava com mais liberdade, podendo circular entre o meio e a ponta-esquerda. 

"Não fiz uma boa temporada, já falei sobre isso. Para mim já passou, estou aqui na Copa América focado para poder melhorar, evoluir", disse Coutinho, em poucas palavras, ao ser questionado sobre a diferença entre suas duas versões. 

Essa definição, diga-se, não é estanque. Na seleção, com Tite, Coutinho por muito tempo atuou pelas pontas enquanto Renato Augusto ocupava o meio-campo. Quando o ex-corintiano se lesionou, às vésperas da Copa de 2018, o treinador recuou o camisa 11 para a função. O experimento deu certo até o Brasil cruzar com a Bélgica e ele ser muito exigido na parte defensiva. 

Hoje, ainda mais sem Neymar, ele voltou a atuar como principal articulador do Brasil, com liberdade para circular entre volantes e pontas, buscando especialmente o espaço nas “entrelinhas”, como diz Tite. A dúvida é ver como isso vai funcionar caso a seleção se depare com outro rival com potencial ofensivo à altura, como foi na Rússia. 

David Neres joga aberto e Richarlison mais perto da área

Os dois pontas do Brasil tiveram, a menos no jogo contra a Bolívia, funções bem diferentes entre si. Tite explicou, logo em sua primeira resposta, que queria Daniel Alves com liberdade para criar à frente. Com esse movimento, Richarlison seria incentivado a se aproximar mais de Firmino no centro da área, para criar triangulações, enquanto David Neres se isolava na linha lateral contrária, esperando ser um elemento surpresa. 

“O que aconteceu é que baixou a marcação da Bolívia. O lateral esquerdo acompanhava o Dani até o fim e ficava um [homem] de meio campo quase sem finalidade”, explicou Tite. 

Só que o jogo de hoje não parece ser uma exceção. O treinador deixou claro que vê Richarlison mais confortável para flutuar entre a ponta e a grande área, podendo até fazer a função de 9, enquanto David Neres teria mais facilidade em atuar como ponta. 

A definição é importante especialmente para David Neres. Há uma corrente de analistas que entende que o ex-são-paulino rendeu mais no Ajax justamente quando teve liberdade de circular e não ficou restrito a um lado do campo. Pelo que Tite sinaliza, isso não deve se repetir na seleção. 

“O Neres do lado esquerdo foi o mesmo que ele fez aquele gol contra a Juventus. Ele tem naturalidade para estar bem aberto, tem o lance pessoal. [Hoje] criou duas ou três oportunidades. O Richarlison tem um posicionamento muito peculiar, é diferente dos outros. Ele é mais de área, fica mais próximo ao pivô, no caso Firmino ou Jesus. Se eu colocar o David Neres ali não vou tirar o melhor dele”, disse Tite. 

Qual é o papel de Fernandinho?

Sem Arthur, Tite escolheu Fernandinho, um volante com características mais defensivas, para sair jogando contra a Bolívia. A ideia, segundo o treinador, era justamente dar o apoio necessário para que Daniel Alves conseguisse apoiar dentro do plano explicado no item anterior. 

O problema é que não funcionou, e não só por causa da marcação da Bolívia no lateral. Em um primeiro tempo pouco inspirado, Fernandinho participou pouco da saída de bola, que ficou a cargo de Thiago Silva, e foi justamente o “homem de meio-campo sem finalidade” a que Tite se referia na frase anterior. 

A solução, na visão de Tite, foi adiantar Fernandinho a partir do começo do segundo tempo. Mais avançado, mesmo sem tocar na bola, ele poderia criar a superioridade numérica que permitiria ao Brasil encontrar os caminhos diante de uma defesa muito recuada. Não é por acaso, na visão do treinador, que a seleção reagiu e fez 3 a 0 na etapa final. 

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