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Flamengo desfalcado expõe erros na Libertadores do joga ou joga

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Pin Bruno Henrique, um dos desfalques do Flamengo por dar positivo para Covid-19. EFE/Ali Haider/Arquivo
Bruno Henrique, um dos desfalques do Flamengo por dar positivo para Covid-19. EFE/Ali Haider/Arquivo

Flamengo desfalcado expõe erros na Libertadores do joga ou joga

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Faz sentido não poder cancelar um jogo de futebol (e ainda enviar mais jogadores) depois de tanta gente contaminada?

Bastou uma semana de Copa Libertadores para um clube brasileiro se ver exatamente na situação prevista por muitos quando da volta do torneio. A Conmebol determinou, há semanas, que não havia a possibilidade do adiamento de jogos mesmo em caso de elencos contaminados com o novo coronavírus. Mas e se o teste der positivo em cima da hora do jogo? Joga, oras. Se houver menos de sete atletas disponíveis, perde por W.O.

O Flamengo atuou no Equador na última quinta-feira, contra o Independiente del Valle, e seguiu no país já que enfrenta o Barcelona nesta terça. No sábado, treino do elenco. No domingo, contraprova positiva para seis atletas com Covid-19. Isla, Filipe Luís, Bruno Henrique, Matheuszinho, Michael e Diego são casos confirmados. Nesta segunda, véspera do jogo, o clube se mobilizou para enviar quatro garotos para completar o banco do técnico Domenec Torrent.

Ainda que se viva uma pandemia, Conmebol e clubes acabam naturalizando que a prioridade da agenda é cumprir a tabela do futebol. Enquanto o ambiente discutia protocolos, formatos de viagem, novo limite de substituições, número de inscritos... o coronavírus continuava se espalhando. Talvez é exatamente aí que a volta do futebol seja mais contraproducente, quando finge normalidade e projeta a ideia de que está tudo bem. E não está.

Por exemplo: se a sugestão da entidade era de que jogadores com exame PCR de resultado positivo ficassem em quarentena no país, o Flamengo (com as devidas autorizações) irá trazer os seis o quanto antes for possível; se a diretoria informou que os atletas têm quadro assintomático, Diego relatou em vídeo que sente dores no corpo e na garganta; se o grupo completo estava convivendo junto no final de semana, pode haver outros contaminados; se os seis fizerem novos exames na volta ao país e o resultado for negativo, eles podem jogar semana que vem. É a correria típica do futebol levada para casos de saúde pública.

Vale a pena que o trabalho dos times seja atravessado por algo incontrolável? Faz sentido retornar um campeonato que proíbe adiamentos em plena pandemia? É parte do futebol que o desempenho no campo precise responder desfalques por conta de um grave evento sanitário, ainda mais atravessando fronteiras?

Se seis jogadores do Flamengo se contaminaram na viagem a trabalho, é razoável agora expor mais quatro profissionais, enviando-os exatamente para seguir os mesmos passos dos colegas cujos testes deram positivo?

A pandemia alterou a rotina de todas as pessoas do planeta, e são normais as dúvidas sobre como conduzir a vida a partir deste novo momento. Parece claro que diversos segmentos profissionais vão errar, acertar, ser mais ou menos cuidadosos, dar um passo à frente para eventualmente recuar, colocar pessoas em maior ou menor risco, avaliar com mais ou menos precisão se determinadas atividades precisam ou não seguir. Não é exclusividade do futebol.

Mas o ponto é por que o futebol topa conviver com situações irreversíveis. Por que os times aceitam um regulamento que não prevê adiamento em casos extremos, por que o campeonato acaba provocando que jogadores sigam em cima da hora para outro país, por que os clubes não questionam a Conmebol quando todo o peso de uma pandemia fica nas costas deles próprios?

Vencer jogos perdendo atletas por conta de uma pandemia não deveria ser sinal de heroísmo, muito menos de desafio esportivo, "obstáculos para times campeões" e outros desses clichês da bola. De toda forma, só resta ao Flamengo, nessa altura, ir a campo, por mais contraditório que possa parecer seguir jogando numa pandemia quando ela atinge em cheio o seu próprio corpo de jogadores. Essa foi a escolha do próprio futebol.

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