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Palmeiras escancara dilema: só forma para vender?

BeSoccer por BeSoccer @besoccer_com - 0 552

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Palmeiras escancara dilema: só forma para vender?

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Entre Gabriel Veron e destaques da Academia, clube segue aproveitando pouco no seu time profissional. E cenário pode não mudar tão cedo.

Existem duas verdades absolutas para times brasileiros quando o desempenho em campo não está no nível da expectativa criada: a torcida pede jogadores das categorias de base e ingressos mais baratos. Se as contratações não resolvem, que joguem os garotos; se o time não encanta e nem briga pelo título, que as entradas não sejam tão caras para que o público siga acompanhando.

No caso do Palmeiras, somam-se a isso dois itens do contexto atual. O clube é um dos que mais contrata no país, e por isso tem no elenco principal só um jogador formado em casa: Victor Luis, já nos seus 26 anos, e tendo acumulado passagens por Ceará e Botafogo. O segundo ponto foi escancarado nos últimos dias: os resultados dos jogadores em formação têm sido ótimos, inclusive na seleção brasileira.

No domingo, o Brasil ganhou o Mundial Sub-17 com quatro convocados do Palmeiras. O zagueiro Henri foi o capitão responsável por erguer a taça, e o atacante Gabriel Veron marcou três gols e saiu com a Bola de Ouro do torneio. O lateral-direito Gustavo Garcia e o também zagueiro Renan completaram o elenco.

Na última sexta-feira, o sub-11 perdeu a final do Paulista nos pênaltis, contra o Santos. No feriado da próxima quarta-feira (em São Paulo), 20 de novembro, teremos rodada tripla e entrada gratuita no Pacaembu: a volta das finais estaduais sub-15 e sub-17 e a partida de ida da decisão Paulista sub-20, respectivamente contra Santos, São Paulo e Red Bull. Esse mesmo time sub-20, no último sábado, garantiu também lugar na final do Brasileiro, onde buscará o bicampeonato contra o Flamengo.

Por esse cenário, o assunto cresceu nas últimas semanas. Mano Menezes respondeu que tem observado os jovens jogadores, e o tema até rendeu uma intervenção do repórter André Hernan, da TV Globo, durante o Bahia x Palmeiras na Fonte Nova, dizendo que há uma expectativa pela promoção de alguns jogadores para o ano que vem. Até aí, diante de tantos resultados e gente se destacando, pode ser só um discurso pronto do clube.

Houve também um contraste entre uma melhor organização da base e o período do patrocínio da Crefisa, com Alexandre Mattos e sua agressiva atividade no mercado, consolidando o Palmeiras como o time da elite que menos usa jogadores revelados em casa mesmo diante de um momento produtivo na revelação de garotos. No meio desse caminho, Luiz Felipe Scolari não se mostrou um grande incentivador do uso dos jovens. Quem trabalha na base do Palmeiras sentiu esse afastamento, inclusive em tempos que o time sub-20, categoria mais próxima dos profissionais, vinha aumentando a frequência de treinos na Academia de Futebol.

Enquanto isso, o Palmeiras vendeu no ano passado o atacante Fernando, 19 anos e dois jogos pelo time de cima, ao Shakhtar Donetsk. O lateral-esquerdo Luan Cândido, 18 e um jogo visto do banco, foi neste ano para o RB Leipzig. Papagaio, que faz 20 no mês que vem, fez seis jogos no clube ano passado, foi emprestado para o Atlético-MG e agora para o Goiás (o artilheiro da base em 2018 não balançou as redes em 2019). Artur Cabral, 21, fez 24 gols pelo Ceará no ano passado, foi contratado pelo Palmeiras mas foi a campo cinco vezes até agosto; está emprestado ao Basel.

Não à toa, essa postura do clube nos últimos anos rendeu a piada automática nas redes sociais. A ironia de quem acompanha os jovens destaques palmeirenses é que logo estarão na Europa para que o Palmeiras possa comprar um próximo Carlos Eduardo. É só jogar os termos ‘Gabriel Veron’ e ‘Shakhtar’ no Twitter. Com Londrina e Bahia, destinos de emprestados recentes, também funciona. É, por exemplo, o caminho que está sendo traçado pelo meia Artur, que não pode enfrentar o Palmeiras com as cores do clube de Salvador por razões contratuais.

Agora, ao mesmo tempo em que o Palmeiras praticamente deu adeus às chances de título brasileiro e que o principal jogador do time, Dudu, admitiu que espera mudanças no elenco, muita gente acaba de conhecer Henri, Veron e companhia. Outros um pouco mais velhos, como Patrik de Paula, 20, Gabriel Menino, 19, e Lucas Esteves, 19, vira e mexe são pedidos pela torcida.

Podem não virar grandes jogadores, claro. São muito jovens, têm ainda níveis físicos e técnicos variados, e sempre correm o risco de não corresponderem ao rótulo de salvadores de uma essência do clube projetada pela torcida, o bom e velho "coloca os moleques" contra os ‘megareforços’ que muitas vezes não se pagam. Mas se a virada do ano promete mais mudanças no elenco, fica a curiosidade se haverá espaço e paciência para produzir novos jogadores profissionais, ou se as "crias da Academia", estampadas com orgulho a cada conquista, seguirão tendo a formação terceirizada, quando não colocadas apenas como commodities no mercado.

Afinal, dá para dizer que nos últimos anos o Palmeiras só forma para vender.

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