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Sarri atingiu objetivos com o Chelsea, mas por que está tão pressionado?

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Vaga na Champions, chance de título na Europa League e números ofensivos atestam um bom trabalho do italiano, que sofre grande rejeição da torcida

Em 2003 o bilionário russo Roman Abramovich comprou o Chelsea e mudou, completamente, a história do clube londrino. Desde então, os Blues iniciam as suas temporadas sonhando com todos os títulos que irão disputar. Esta expectativa já foi mais forte em determinados anos, um pouco menor em outros. Nesta campanha atual, por exemplo, o objetivo mais básico era voltar a conseguir uma vaga para a Champions League – já que a quinta posição na edição anterior do Campeonato Inglês os deixou de fora do torneio europeu em 2018-19.

Uma missão difícil levando em conta não apenas os poucos reforços, na comparação com o histórico pós-2003. Ainda que tenha quebrado o recorde pago por um goleiro, ao desembolsar € 80 milhões para tirar Kepa Arrizabalaga do Athletic Bilbao, os Blues só optaram por isso depois que Thibaut Courtois insistiu por deixar Londres para vestir a camisa do Real Madrid. E em um clube que planejou uma mudança completa em seu modelo de jogo, abandonando o estilo reativo e pragmático dos tempos de Mourinho e Conte, para focar na posse de bola e construção associativa de Maurizio Sarri, os resultados poderiam demorar para chegar. Afinal de contas, o elenco seguiu praticamente o mesmo.

Sarri chegou ao Chelsea para replicar o bom trabalho feito com o Napoli, que só não voltou a conquistar a Serie A italiana porque a Juventus aparentemente é um bicho papão no País da Bota. Invencível. Para ajudar a implementar a sua visão de futebol, o treinador contou com a chegada de Jorginho, ítalo-brasileiro que era o metrônomo ao iniciar as jogadas desde o campo de defesa napolitano. As primeiras impressões animaram os torcedores, mas ao longo da temporada a relação entre o treinador e a torcida começou a azedar: queda no desempenho explica, mas o modelo de jogo proposto – motivo pelo qual o italiano foi contratado em primeiro lugar – e algumas escolhas (mudança nas posições de Kanté e Hazard) não agradaram.

Hazard às vezes como 'Falso 9' e Jorginho no lugar de Kanté - deslocado para uma posição mais avançada - não agradou a torcida

A cena constrangedora com Kepa Arrizabalaga, na final de Copa da Liga perdida nos pênaltis para o Manchester City, não ajudou a diminuir os ânimos. Pelo contrário. Já na Premier League, a oscilação também foi grande enquanto Citizens e o Liverpool disputavam o título em um verdadeiro campeonato à parte. Se havia uma obrigação naquele momento, era a de ficar entre os quatro primeiros colocados e garantir participação na Champions League. O time de Sarri conseguiu isso, por méritos próprios (como uma sequência de três vitórias seguidas) e também contando com alguns tropeços de rivais como Arsenal e Manchester United.

De qualquer forma, o objetivo principal em uma primeira temporada de mudança brusca na identidade de jogo foi conquistado. O Chelsea terminou o Campeonato Inglês na terceira posição e estará na próxima Champions League. De bônus, caminhou até a final da Europa League, onde vai enfrentar o Arsenal na polêmica final que será realizada no Azerbaijão - na próxima quarta-feira (29). Ou seja, em seu primeiro ano Sarri levou os Blues a uma decisão de Copa da Liga, outra de Europa League e cumpriu com o objetivo de devolver o time ao maior torneio de clubes do continente. Mesmo assim, o seu futuro está em xeque. Na última quarta-feira (23), disse em entrevista coletiva que se a sua continuidade tiver que ser avaliada dependendo do resultado da finalíssima contra o Arsenal, seria melhor Abramovich lhe demitir de uma vez.

“Se a situação for esta, quero sair daqui imediatamente”, afirmou o italiano, que tem mais dois anos de contrato com o Chelsea. “Após cada temporada você precisa discutir a situação com o clube. Na minha opinião nós tivemos uma temporada muito boa. É claro que precisamos fazer mais. Nós precisamos evoluir”.

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