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Lulinha relembra altos e baixos da sua carreira e revela que segue acompanhando o Corinthians

BeSoccer por BeSoccer @besoccer_com - 0 1,879

Pin Brasileiro falou sobre a sua carreira. Goal
Brasileiro falou sobre a sua carreira. Goal

Lulinha relembra altos e baixos da sua carreira e revela que segue acompanhando o Corinthians

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Em entrevista à 'Goal Brasil', meia-atacante contou como são os reencontros com a Fiel e riu das histórias pelas quais já passou na Coreia do Sul.

Há uma década, Lulinha surgiu como uma grande promessa. Destaque da equipe sub-17 do Corinthians e das seleções de base do Brasil o jogador chegou a ser cobiçado por grandes clubes europeus, mas nunca conseguiu render o que todos esperavam no 'Timão' e, depois, acabou rodando por equipes médias de Portugal e vários times brasileiros. Hoje, porém, o meia-atacante parece ter encontrado a paz necessária para desempenhar seu futebol do outro lado do mundo. Aos 27 anos, vive grande fase no Pohang Steelers, um dos times mais tradicionais da Coréia do Sul.

Em entrevista exclusiva à 'Goal Brasil', Lulinha comemorou o momento que vive na Ásia e creditou sua evolução ao tempo dado para se adaptar e a confiança do clube coreano no seu potencial.

“A pressão pela vitória e a cobrança individual é bem maior no Brasil. Aqui é diferente, porque eles dão tempo para se adaptar ao país, a cultura e ao estilo de jogo. A pressão também não vem da torcida, mas sim da diretoria já que o Pohang é um clube grande, então sempre quer brigar por títulos ou ao menos por uma vaga na Champions da Ásia. Em outros países já querem que você chegue arrebentando, fazendo gols e, se isso não acontece, a cobrança da imprensa e da torcida é grande. Claro que não podemos comparar o futebol brasileiro com o sul-coreano, mas isso me ajudou e estou muito feliz por estar vivendo esse bom momento aqui”, declarou.

Apesar da longa distância e de ter deixado o Corinthians há vários anos, Lulinha não esquece o clube onde viveu tanto tempo. O meia-atacante revela que segue acompanhando a equipe 'alvinegra'.

“O Corinthians foi muito importante pra mim. Sou muito grato. Claro que a história teve seus altos e baixos e poderia ter sido muito melhor para os dois lados, mas jamais vou esquecer que vim do terrão e todos os anos que vivi lá. Poderia ter tido um final mais feliz, mas ainda tenho amigos lá dentro. Quando vou lá, até mesmo quando jogava no Red Bull e enfrentei o Corinthians, fui muito bem tratado. Tenho um carinho especial pelo Mancha, que faz o café da manhã da galera e está lá até hoje. O Corinthians é um clube que sempre que posso acompanho e que vou levar para sempre no meu coração”, afirmou.

Esbanjando sinceridade, Lulinha também relatou como são os encontros com os torcedores corintianos quando está no Brasil e admitiu que a imaturidade da época acabou o atrapalhando também.

“Quando estou no Brasil alguns corintianos me encontram e falam: “Pô, volta pro Corinthians”, mas a gente sabe como é né. É aquele volta, porque estou perto deles (risos), mas muitos entendem o meu lado, dizem que aquele não era o momento de subir, que poderia ter ficado mais na base e que infelizmente isso acabou me queimando. Até pela multa alta, a expectativa era muito grande e na minha primeira entrevista ainda fui imaturo ao falar que era um pouco do Ronaldinho Gaúcho e um pouco do Kaká. Poxa, até hoje vejo pessoas brincando com isso. Na época, tinha 16 anos e quando me perguntaram acabei sendo imaturo. As pessoas dão muito valor ao que você fala e você acaba sendo julgado por isso. É da vida”, ressaltou.

Nesta entrevista exclusiva, Lulinha ainda falou sobre a sua adaptação na Coreia do Sul, contou algumas histórias engraçadas que aconteceram no país asiático, relembrou os altos e baixos que viveu no Corinthians e ainda os títulos mais marcantes da sua carreira. Confira o restante do bate-papo.

Goal – Você joga em um dos grandes clubes da Coréia do Sul e pouca gente aqui no Brasil conhece o futebol daí. Conta um pouco como está sendo essa experiência e como foi a sua adaptação.

Cheguei tem pouco mais de um ano. Está sendo uma experiência diferente e incrível jogar no Pohang Steelers, que é um dos grandes clubes daqui da Coréia do Sul. No começo foi difícil a adaptação porque a comida é muito diferente da brasileira. Eles gostam muito de pratos apimentados, mas no clube é bacana porque eles sempre preparam algo especial para os estrangeiros, mas no começo eu senti um pouco de dificuldade. A língua também é bem complicada. Precisa estudar muito o coreano porque é muito diferente, mas hoje já entendo algumas coisas e eles tentam falar em inglês com a gente para que possamos nos comunicar em campo. Agora já estou mais adaptado também a cultura e ao jeito deles tratarem e lidarem com o futebol.

Goal – Nesse tempo que você está aí já deve ter passado por alguns perrengues e histórias engraçadas. Tem alguma que te marcou?

Já passei por algumas situações complicadas e engraçadas. Um dia fui em um churrasco e acabei pegando para comer um negócio que é usado para limpar a churrasqueira (risos). Uma vez também, um amigo meu abriu a conta no banco para receber do clube, achou estranho que o dinheiro não estava caindo e foi lá na agência reclamar. Ligou até para o empresário dele dizendo que o clube estava atrasando salário, mas na verdade ele que estava indo no banco errado. O dele era na outra esquina.

Goal – E como é o comportamento do torcedor sul-coreano no estádio e fora dele?

Aqui é bem tranquilo. Eles são muito respeitosos, por exemplo, se estou na rua com minha esposa e minha família dificilmente eles chegam na gente mesmo se te reconhecerem. Eles fazem isso em dia de jogo, mas também é diferente. Se perdemos um jogo em casa, mas nos doamos ao máximo, eles aparecem para nos cumprimentar, pedir autógrafos e tirar fotos. No Brasil, sabemos que não é assim.

Goal – O Pohang vem lutando na parte de cima da tabela neste ano. Até onde a equipe pode chegar?

Estamos bem neste ano. Tivemos uma boa sequência de vitórias, alguns tropeços também, mas isso acontece muito aqui. É um campeonato muito embolado. Estamos nessa batalha de tentar chegar cada vez mais perto do Jeonbuk, que é o líder. Temos a meta de conseguir a vaga para Champions da Ásia e se der também tentar o título.

Goal – Falando um pouco do início da sua carreira, você teve uma história vencedora na base do Corinthians, mas não conseguiu render o esperado no profissional mesmo depois de ter tido chances na hora que a equipe voltou a ter bons resultados. Na sua visão o que aconteceu?

As pessoas sempre me perguntam isso. Costumo dizer que subi no momento errado e que precisava ter ficado mais um tempo na base. Era um momento complicado, onde uma equipe tão grande como o Corinthians estava brigando contra o rebaixamento. Foi duro para um menino tão jovem como eu ter sofrido junto com todo o elenco essa queda para a Série B. Depois disso, a cobrança era muito grande. Esperava-se muito de mim, um garoto de ouro da base, que tinha feito muitos gols e conquistado tantos títulos. Como as coisas não aconteceram como todos esperavam, eu inclusive, a cobrança veio de todos os lados. O futebol é assim, não tenho mágoa de ninguém. O Corinthians foi o clube que abriu as portas pra mim, vivi ali muitos anos da minha vida, então sou muito grato. Hoje, com 27 anos, estou mais maduro para poder lidar com qualquer situação.

Goal – Você lembra quando foi que a torcida começou a pegar no seu pé pela primeira vez? Como você ficou?

No rebaixamento, em 2007, foi até bacana, porque eles não pegaram tanto no meu pé. Respeitavam, viam que ainda era um menino e que não merecia levar toda a responsabilidade. Mas depois tiveram dois jogos que vi que o negócio estava feio para o meu lado. Quando perdemos a final da Copa do Brasil de 2008 para o Sport teve um lance que perdi um gol cara a cara com o Magrão e voltando para São Paulo uns dez torcedores vieram pra cima de mim no aeroporto. Depois, quando perdemos um clássico contra o Palmeiras, no Morumbi, vi os torcedores xingando meu nome e tive a certeza que as coisas estavam ruim para o meu lado. Hoje, é até uma história engraçada, mas na época não foi. Cheguei para treinar no Parque São Jorge e o André Santos e alguns outros jogadores vieram dizendo que a torcida tinha feito uma homenagem pra mim. Os caras falaram para passar na saída atrás do estádio que iria ver. Achei estranho porque a fase não era boa, quando peguei o carro e passei para ver estava escrito “Fora Lulinha e Acosta”. Os caras estavam zombando de mim.

Goal – Na mesma época que você também subiram o Dentinho, que foi quem mais  se destacou no Corinthians, e o Éverton Ribeiro, que só foi explodir depois de deixar o clube. Você até teve bons momentos em outras equipes, mas acabou não tendo sequência. Acha que isso atrapalhou?

Com certeza. Vivi alguns bons momentos no Bahia, principalmente no primeiro ano quando voltei de Portugal. Naquele momento até achava que poderia ter voltado para o Corinthians para me avaliarem se poderia ser aproveitado, mas não me chamaram e acabei ficando mais um ano no Bahia. O Éverton Ribeiro é hoje um dos melhores meias do Brasil, mas não deu certo no Corinthians talvez pelo momento difícil que o clube vivia dentro e fora de campo. O Dentinho já foi um caso diferente, porque subiu sem muita badalação. Teve mais sequência e, com calma, mostrou sua qualidade, foi muito bem e até hoje tem o carinho do torcedor merecidamente.

Goal – Mesmo com todas as críticas, você foi campeão da Série B, do Paulistão e da Copa do Brasil com o Corinthians. Que recordações você guarda desses títulos?

Poxa, foi demais. Fiquei muito feliz, porque quando você está mal em um time grande a cobrança é muito grande, mas quando você está bem viver esse clima de festa. Claro que nunca é bacana cair, ainda mais para um time do tamanho do Corinthians, mas a Série B foi um divisor de águas muito grande. O clube mudou o pensamento, montou uma estrutura do nível dos clubes de ponta do mundo e conquistou tudo o que podia. Fui muito feliz também com os títulos da Copa do Brasil e do Paulistão. Jogar, treinar e conviver com o Ronaldo Fenômeno também é algo que vou levar para sempre na minha vida.

Goal – Você também voltou com o Botafogo para a Série A e conquistou os estaduais com o Bahia e com o Ceará. Qual título foi marcante pra você?

Você só fica marcado na história de um clube se for campeão, então todos os títulos foram marcantes, mas acho que o mais especial foi no Bahia, porque é um clube grande, tem muitos torcedores lá e, na época, eles não conquistavam o Campeonato Baiano há 11 anos. A gente conseguiu esse título, então para cidade, torcida e quem estava no Bahia o título ficou marcado. Foi muito bacana e joguei muitas partidas também.

Goal – O que mudou do Lulinha que surgiu com 16 anos no Corinthians para o atual aí na Coréia?

Muita coisa. Com 27 anos, por tudo o que passei desde o início, já sou uma pessoa muito experiente. Algumas coisas por ser muito novo, se não tivesse uma família que me ajudasse e segue me ajudando bastante, teria me perdido. Hoje, casado e com uma filinha, também sou um cara muito mais responsável e vejo que preciso me dedicar cada vez mais, porque sei que a carreira passa rápido. Sou também muito mais dedicado, os treinos aqui são fortes e posso dizer com todas as letras que estou no meu auge físico. Aqui se corre muito, o futebol não é tão cadenciado como o que vivi em Portugal e muito menos no Brasil. Atualmente, estou mais preparado para poder desempenhar o meu melhor futebol.

Goal – Como está sua situação contratual e quais são seus planos para o futuro?

Tenho contrato até o fim do campeonato sul-coreano, mas pela nossa boa campanha e até mesmo minhas boas atuações algumas situações bacanas podem pintar por aqui. Por enquanto meu pensamento está no Pohang. Estou muito satisfeito e adaptado ao clube, então minha ideia é seguir aqui.

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