De Madrid a Lyon: Endrick assina um dos melhores arranques da história
O Olympique Lyonnais atravessa um momento de plena euforia. Invicta há quase dois meses, a formação gaulesa ocupa agora o quarto posto da Ligue 1, em igualdade pontual com o Marselha, após uma impressionante série de cinco vitórias consecutivas. Com este fôlego renovado, os 'Gones' regressaram aos lugares europeus e encurtaram a distância para a liderança para nove pontos, detida pelo crónico campeão PSG.
No epicentro desta vaga vitoriosa surge o jovem prodígio brasileiro Endrick. Recém-chegado do Real Madrid no mercado de janeiro, o avançado assumiu-se de imediato como uma peça fulcral, assinando um dos arranques mais impactantes da história do emblema do Ródano.
O avançado, nascido em 2006 e lapidado na prestigiada academia do Palmeiras, revelou desde cedo um talento fora do comum. A sua precocidade goleadora abriu-lhe as portas da seleção brasileira em 2023, quando se tornou o quarto estreante mais jovem de sempre da Canarinha, com apenas 17 anos e 118 dias — ultrapassando até um nome lendário como Ronaldo Nazário, símbolo maior do futebol brasileiro.
O seu potencial ilimitado não passou despercebido ao Real Madrid, que avançou com um investimento de 50 milhões de euros para assegurar a sua contratação junto do Palmeiras em 2024, ainda antes do jogador atingir a maioridade. Na época de estreia ao serviço dos merengues, sob a liderança de Carlo Ancelotti, Endrick teve uma utilização consistente, participando em 37 jogos e assinando sete golos, números que confirmaram a sua capacidade para competir ao mais alto nível europeu.
No entanto, a mudança no comando técnico — com a saída de Ancelotti e a chegada de Xabi Alonso — alterou o seu estatuto no plantel. Com apenas três aparições na primeira metade da presente temporada, o jovem internacional brasileiro optou por uma cedência estratégica ao Olympique Lyonnais. Acolhido como uma verdadeira estrela, Endrick encontrou em França o palco ideal para explodir na Ligue 1, mantendo o olhar firme na afirmação definitiva e no grande objetivo de chegar ao próximo Mundial como protagonista.

A aposta em Endrick respeita e honra a profunda ligação histórica entre o Olympique Lyonnais e o futebol brasileiro, uma herança que remonta a Constantino Pires, nos anos 50, e que foi eternizada por figuras marcantes como Edmílson, Cris, Fred, Juninho Pernambucano ou, mais recentemente, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá.
O impacto do jovem “canarinho” foi simplesmente devastador. Bastaram menos de 45 minutos na sua estreia absoluta, frente ao Lille, na Taça de França, para impor a sua lei: Endrick decidiu o encontro ainda na primeira parte, assinando uma exibição de autoridade que garantiu o triunfo por 2-1 da equipa orientada por Paulo Fonseca.
Uma semana depois, o avançado estreou-se a titular na Ligue 1, diante do Brest, e voltou a deixar marca, desta vez com uma assistência decisiva. Seguiu-se uma atuação de gala frente ao Metz, onde rubricou um ‘hat-trick’ memorável e ficou a escassos centímetros do ‘póquer’, numa goleada expressiva por 5-2. No duelo mais recente, novamente frente ao Lille, Endrick não faturou, mas contribuiu para uma vitória maturada e segura pela margem mínima.
Feitas as contas, o saldo é impressionante: quatro golos e uma assistência nas primeiras quatro presenças com a camisola do Lyon. Um registo que o coloca no terceiro melhor arranque da história do clube, apenas atrás de John Carew (seis golos) e Lisandro López (cinco) no mesmo número de jogos.
Embora o caminho esteja ainda no início, os dados são inequívocos: o Lyon nunca perdeu pontos com Endrick em campo. Sem cláusula de opção de compra no acordo de empréstimo, tudo indica que o avançado regressará ao Real Madrid no final da temporada como um jogador transformado, mais maduro e preparado para se afirmar como peça-chave dos merengues e futuro rosto da Seleção Brasileira, novamente sob a batuta de Carlo Ancelotti.
