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Da Seleção de base à Série C, Gerson mostra no Remo como é a verdadeira vida do jogador brasileiro

BeSoccer por BeSoccer @besoccer_com - 0 1,160

Pin O lado menos 'glamoroso' do futebol, mostrado por Gerson. Goal
O lado menos 'glamoroso' do futebol, mostrado por Gerson. Goal

Da Seleção de base à Série C, Gerson mostra no Remo como é a verdadeira vida do jogador brasileiro

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O lateral-esquerdo foi companheiro de Romário, Sheik, Edmundo e conviveu com grandes nomes recentes do nosso futebol

Ser jogador de futebol é o sonho de milhões de jovens pelo Brasil e pelo mundo. Entretanto, se diariamente costumamos elogiar os grandes astros internacionais e quem disputa o Brasileirão e defende os grandes times do 'país do Samba', também vale lembrar: a profissão de futebolista é uma das mais duras, quando analisamos todo este grupo de trabalhadores.

Segundo pesquisa divulgada pela FIFPRO [sindicato mundial dos futebolistas] no final de 2016, 83,3% dos jogadores brasileiros tinham salário inferior a mil dólares mensais (cerca de 3,2 mil reais, na cotação atual). E nem mesmo alguns nomes que tiveram a oportunidade de vestir a camisa das maiores potências brasileiras e atuar ao lado dos nossos maiores craques escapam dessa realidade. Gerson, lateral-esquerdo do Remo, é um grande exemplo de tudo isso. Aos 31 anos, ele já atuou ao lado de Romário, Edmundo, Emerson Sheik e tantos outros; defendeu a seleção brasileira na base e vestiu as camisas de Vasco e Fluminense – onde integrou o elenco campeão brasileiro de 2010.

Nascido como Wagerson, ele virou Gerson no Vasco, quando Antônio Lopes Júnior não conseguia acertar o seu nome e o apresentou ao pai rebatizando o jovem com aquele que viraria o seu nome de trabalho. Chamado pela família como ‘Gim’, o lateral é exemplo do quanto é preciso batalhar para realizar o sonho de ganhar a vida no futebol profissional. No segundo semestre de 2016, após o término dos estaduais [ele defendia o Tricordiano, de Minas Gerais], deu aulas de futevôlei em Valença, cidade do estado do Rio onde nasceu, enquanto esperava uma oportunidade.

“Foi uma situação agoniante porque o tempo parece não passar quando estamos em casa. Nesse período, enquanto esperava por uma proposta para voltar a jogar, até para manter o sustento da minha família, decidi dar aulas de futevôlei no Clube Coroados também lá em Valença. Além de ganhar um dinheiro fundamental para o sustendo da minha família, foi a maneira que encontrei para seguir ligado ao futebol”, relembrou.

Dentre os pontos altos de sua carreira até aqui, o título brasileiro pelo Fluminense ocupa lugar especial. Mesmo que Gerson não tenha exercido dentro das partidas um papel importante. Afinal de contas, Carlinhos vivia grande fase e não dava chances aos concorrentes que tinha no elenco treinado por Muricy Ramalho, por quem o atual jogador do Clube do Remo só fala só elogios.

“Foi o auge da minha carreira. Foi fantástico ter tido a oportunidade de trabalhar com o Muricy. Ele sempre foi justo com todos do grupo no dia-a-dia. O Muricy fazia questão de dizer que com ele, seria titular o jogador que apresentasse o melhor desempenho nas partidas e treinos. Fui reserva do Carlinhos que não dava brecha. Ele jogou muito naquele Brasileiro”, relembrou, sem deixar de falar como foi a emoção de jogar ao lado de Romário no Vasco.

“Foi um misto de emoções porque sempre fui muito fã do Romário. Ele é uma lenda do futebol e um ser humano simplesmente fantástico. Tenho uma admiração e um respeito muito grande pelo trabalho dele e por tudo que representa para o futebol. Ele sempre foi muito preocupado com os mais jovens do Vasco. Fazia questão de dizer que todos deveriam se comprometer com um clube independente da camisa”, contou.

Otimista em fazer uma boa campanha com o Leão de Belém na Série C, Gerson ficou impressionado com a rivalidade com o Paysandu [mesmo com uma divisão a separar os gigantes do Norte]: “A coisa por aqui é muito séria e nunca vi nada igual”, disse. “Para mim, a Série C do Brasileiro é o campeonato mais difícil que temos em nosso país. Ás vezes jogamos em estádios modestos, gramados ruins e fora a logística que é bem complicada. Temos tudo para fazer um bom campeonato e quem sabe no final do ano conseguindo fazer o Remo subir de divisão”.

Focado no presente e esperançoso para o futuro, Gérson também deu a sua opinião sobre por que alguns jogadores que são convocados para a base da Seleção Brasileira não conseguem manter o nível depois que sobem para o profissional: “Não sei explicar exatamente o que acontece. Muitos jogadores acabam perdendo um pouco o foco, ficam deslumbrados e se esquecem de se dedicar mais nos treinos e nas partidas. O conselho que dou hoje para qualquer jovem atleta que tenho a oportunidade de conversar é para se dedicar nos treinos e tentar procurar fazer o melhor dentro e fora de campo”.

Com passagens também por Boavista, Duque de Caxias, Cabofriense, Goytacaz, Volta Redonda, América-RJ, Atlético-GO, Goiás, Macaé, Resende, Cabofriense e Brasiliense, Gerson não é apenas um exemplo que mostra o quão duro é a vida de grande maioria dos jogadores de futebol. Esperança do Remo para voltar à Série B, é daquelas figuras que sintetizam o futebol brasileiro como ele realmente é: sempre buscando driblar os problemas da mal organização, sem deixar de sorrir quando as oportunidades e boas histórias chegam.

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