O golpe de 40 milhões de dólares: na China, Tévez protagonizou o passeio mais caro da história do futebol

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O viajado atacante está de volta para sua terceira passagem no Boca depois de deixar uma trilha de lágrimas e amargas lembranças na China

Confie em Diego Maradona, um homem que sabe algo sobre espúrias e lucrativas ofertas de trabalho em terras distantes, para resumir melhor do que qualquer outra pessoa os 12 meses de Carlos Tevez na China. 

"Ele foi lá, encheu o bolso de dólares e voltou para Boca. Foi perfeito", disse a lenda da Argentina e do Boca sobre seu sucessor ao posto de 'queridinho' de La Bombonera. É difícil argumentar contra esse ponto de vista: se a passagem de Carlitos no Shenhua foi um desastre absoluto da perspectiva esportiva, ela inegavelmente foi compensada pelos enormes montantes recebidos em salários pelo jogador.

Apenas um ano depois de chegar em Xangai para uma grande festa, o aclamado "Jogador do Povo" está de volta ao Boca para a sua terceira passagem. Mas os milhares de fãs chineses que se animaram com sua transferência no início de 2017 tem razão em se sentirem mais do que ofendidos depois de terem testemunhado uma das mais injustas "intervenções" estrangeiras desde as Guerras do Ópio. Um assalto digno do homônimo de Tévez, o famigerado Carlos, o Chacal, teria orgulho em chamar de seu.

O ex-Juventus, Manchester City e United entrou em campo apenas 20 vezes pelo Shenhua, com uma passagem atrapalhada por lesões, muitas delas bastante duvidosas. Só quatro vezes o atacante conseguir balançar as redes, contribuição inexpressiva e que certamente foi central à medíocre 11ª colocação final ocupada pelo Shenhua na Superliga Chinesa - sem falar na queda antecipada na Champions League da Ásia.

Apenas a vitória na Copa da China, liderada pelos seis gols de Obafemi Martins - estrangeiro que, ao contrário de Tévez, ganhou seu lugar nos corações da torcida do Shenhua pela dedicação - recuperou uma temporada abaixo das expectativas. Mas uma recompensa ainda pequena se colocada contra um contrato de 40 milhões de dólares por apenas uma temporada: dois milhões por jogo, e oito milhões por cada gol anotado por Carlitos. 

A jornada de Tévez no Oriente, claro, também foi pavimentada por polêmicas. Foi como se o argentino tivesse tratado sua estadia na China como o ano sabático mais bem pago da história, marcando presença em qualquer lugar que não fosse o campo de treinamentos do Shengua. Uma visita à Disneyland de Xangai, enquanto seus companheiros corriam em campo pela Superliga, foi um dos episódios que provocaram a ira de todos, sem falar nos quatro dias de festa de seu casamento que organizou na América do Sul, que incluiu entre os convidados o presidente da Argentina e o ex-mandatário do Boca, Mauricio Macri, e o atual presidente xeneize, Daniel Angelici.

Era como uma reprise dos últimos dias de Carlitos no Manchester City: longe do seu clube, preferindo as tardes nos melhores campos de golfe de Buenos Aires e os planos arquitetados com Angelici para o segredo que todos já conheciam: seu eventual retorno ao Boca. Dá para imaginar o dilema do Shenhua enquanto as negociações com os argentinos se desenrolavam: de um lado, a vontade de recuperar pelo menos parte do imenso investimento feito em Tévez; do outro, o desespero em fazer com que o Boca os livrasse de um buraco negro de 40 milhões que poderia se arrastar por outros doze meses.

No final, ganhou o pragmatismo: o time chinês evitou mais perdas e confirmou a venda, enquanto Carlitos alegremente já se instalava novamente em Buenos Aires, com um quarto no complexo de treinamento Cardales, do Boca, reservado para o treinamento de verão. 

"Eu não posso simplesmente sair, pegar 40 milhões e depois voltar para o Boca", declarou o próprio atacante ao sair do time argentino em dezembro passado. Felizmente, o atacante teve sua própria interpretação dos eventos quando retornou: "Eu nunca sai". 

Aqueles deixados para trás no Shenhua, especialmente os contadores, devem estar desejando que isso tivesse realmente sido a verdade, e que o ano de Tevez na China não tivesse passado de um sonho. Mas era tudo muito real e, enquanto o jogador de 34 anos de idade recebia mais uma recepção de herói como o filho pródigo de Boca, os antigos empregadores de Carlitos pegavam as calculadoras para contar o prejuízo.

O 'Grande Assalto Chinês' compensou (e muito) ao Jogador do Povo, que incluiu mais um nome em uma lista respeitável de respeitáveis ex-clubes que deixou amargurados, todos iludidos pelo seu irresistível charme - ao menos dentro de campo.

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